Encerramento do trabalho na Casa de Convivência Porto Seguro

Geraldo, Viviane, Fábio, Débora e Célia

Foi com o coração apertado mais cheio de satisfação que encerramos o nosso trabalho na Casa de Convivência Porto Seguro. Coração apertado pela saudade que já começava a despontar e muito satisfeitos com o resultado do trabalho e de todo o processo!
Viviane e GeraldoO encontro de encerramento foi muito especial, pois contamos com a participação de convidados pra lá de especiais: Débora Kikuti cumprindo seu chamado ancestral na missão de encantar com histórias, Viviane Marques com suas histórias que levam ao coração e Geraldo Orlando com seus cantos da alma e das estrelas! E é claro, o olhar poético do nosso câmera Ivan Marchini.

Débora provocando risos...

Despedida...

“Eu vou dar a despedida
Como deu o beija-flor
Vou cantando com alegria
E dançando com amor”!

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Encerramento do trabalho na Associação Minha Rua Minha Casa

João Nascimento - Imagem Guetto Filmes

Encerramos as atividades na Associação Minha rua minha casa invocando a força dos nossos ancestrais africanos.
Para essa roda de histórias contamos com a presença especial do nosso parceiro e músico João Nascimento. Artista engajado, sensível, comprometido com a arte e a poesia, reverenciando sempre os seus ancestrais, a cultura popular e todos os seres divinos!
Foi no toque do tambor, pandeiro e berimbau que ele fez vibrar os corações! Foi com seu canto e suas palavras que ele provocou reflexão!
Foi com esse AXÉ que realizamos a nossa roda de contos representativos da cultura Afro-brasileira.
Foi com esse AXÉ que encerramos o nosso trabalho nesse espaço.

Daniel, Fábio, Célia e João

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Maria Eduarda disse que caminhou muito…

Maria Eduarda disse que caminhou muito… Foi de Pernambuco até o rio Araguaia.

“Fiquei morando lá por um tempo, encontrei um pescador e vivi com ele como casada. Um dia nós saímos para pescar, mas eu morro de medo de água! Não sei nadar, então nem me mexo muito no barco pra ele não balançar! Fico quietinha. Mas meu companheiro disse que ia dar um mergulho e eu fiquei com medo de alguma ariranha pular dentro do barco. Ele me disse que se isso acontecesse era só pular na água e gritar por ele!
Ele mergulhou e eu fiquei lá. De repente eu ouvi um som estranho que parecia vir debaixo do barco. Fiquei morrendo de medo! Tremia tanto que até balançava o barco! De repente a água se agitou e pulou um bicho horrível! Não era ariranha, pois era bem maior, todo peludo! Parecia uma serpente grande, peluda e na cabeça uma crina de cavalo vermelha, parecendo fogo.
Eu gritei e meu marido apareceu. Voltamos para casa e eu estava desesperada! Me levaram para falar com o pajé e ele me explicou que havia uma lenda de que um menino havia morrido no rio e que o seu corpo desapareceu. Mas depois disso, um monstro, uma assustadora serpente começou a aparecer por lá. Dizem que fizeram um feitiço para aprisionar ela dentro de um grande posso e depois uma igreja foi construída em cima do posso. Se você for lá e jogar uma pedra no poço você não escuta ela cair. É como se ele não tivesse fim… A serpente esta presa lá, mas dizem que de vez em quando ela escapa e aparece no rio.
E me disse o pajé: – Foi a Boiuna que você viu”!

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Se essa rua fosse minha…

Se essa rua fosse minha…

Eu mandava ladrilhar
Com poemas e brincadeiras
Para a todos alegrar!!!

Carregando a infância...

Imagens: Guetto filmes

O tema desse encontro foi a infância.
Contamos histórias infantis com bonecos e recursos bem lúdicos. Os olhos brilhando, os sorrisos e a euforia denunciavam que as crianças estavam presentes.
Depois partimos para histórias de vida, relatos de infância, travessuras, medos, violência etc. Depois de ouvirem algumas que narramos, inclusive sossas também, os participantes começaram a contar momentos da infância… Quanta história…
Resgatamos as brincadeiras preferidas de cada um durante a infância e eles relatavam com muita alegria como brincavam e discutiam as diferenças regionais das brincadeiras.
Em seguida, vieram as cantigas. Um dos participantes, buscando na memória tentou cantarolar “meu limão, meu limoeiro…” Eu seguida, um deles começou “Se essa rua, se essa rua fosse minha…” E imediatamente todos foram acompanhando o canto e formou-se um lindo e emocionante coral! Para fechar, um deles, nos disse: “Tinha uma que era assim: Boi, boi, boi. Boi da cara preta…“ E o coro continuou a cantar…

Foi muito especial resgatar ali, com aquelas pessoas, as nossas memórias de infância!

Poema que abriu a roda de histórias:

1, 2, 3 e já!
A brincadeira já vai começar!

Pula corda
Roda ciranda
Gira, girou
No terreiro de Aruanda

Bola de gude
Roda peão
Empina a pipa
Saindo do chão

Passa anel
Pega a boneca
Mexe a panela
Menina sapeca

Esconde-esconde
Corre cotia
Pega-pega
Na casa da tia

Escravos de Jó
Pula amarelinha
No faz de conta
Pode ser rei ou rainha

Sobe e desce iô-iô
Gira-gira o carrossel
Para quem não deixa de brincar
A vida é doce como mel!

(Célia Gomes)

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Aê, aê, aê! Ninguém segura o moleque Saci Pererê!

Imagens Guetto Filmes - Andres Legum e Ivan Marchini

Célia Gomes e Fábio Rosa manipulam o boneco Saci

Hoje o moleque Saci saiu fazendo peraltices na Associação Minha Rua Minha Casa.
Não faltou quem quisesse brincar com ele:
– Aê Pererê, é nóis na fita!!!! – diziam os conviventes
Teve quem compartilhou o seu prato de comida, abraçou, beijou e até se invocou com o Saci!
Ele distribuiu versos para as mulheres, beijos para as crianças e convidou a todos para a roda de histórias que, nesse dia, recebeu muitos interessados motivados pelo convite.

Saci beijoqueiro

Imagens Guetto Filmes – Andres Legum e Ivan Marchini

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Quando ouvir histórias desperta o contador que há em mim…

Sempre acreditei na teoria de que ouvir boas histórias impulsiona a contar histórias. Hoje tive mais uma comprovação:
Havíamos acabado de encerrar o encontro na Associação Minha rua minha casa, os participantes já haviam saído, quando um homem entrou ansioso na sala e ficou decepcionado ao ver que a roda de histórias havia acabado. Pediu desculpas pelo atraso e justificou dizendo que hoje ele estava na função de ajudar a lavar os pratos do almoço e que por isso não conseguiu chegar a tempo.
Ele disse que gostou muito das histórias que ouviu na semana passada, saiu muito feliz do encontro e que por isso voltou para nos contar uma história também. Dissemos a ele que gostaríamos de ouvir a sua história, se ele pudesse compartilhar conosco naquele momento. Ele sentou-se e nos contou com muita propriedade e encantamento a história.
Ficamos todos comovidos, tanto que um dos integrantes da Guetto Filmes, que trabalha na parte de filmagem, também virou contador de histórias. No momento em que o convivente começou a narrar a sua história, ele constatou que havia acabado a bateria da filmadora que ele tinha nas mãos. Primeiro foi aquela expressão de decepção: – Não acredito! Justo agora! Depois como não podia mesmo fazer nada, se dispôs a ouvir a história com o coração aberto. E aí aconteceu a magia do ouvir e contar e ele foi fisgado pela arte da narrativa, comovido e impulsionado pelo momento, ele também nos presenteou contando uma história que ouviu uma vez.
Fiquei muito emocionada com esse momento. Eu estava ali sentada, ao lado do meu parceiro contador de histórias, ouvindo o convivente e o cinegrafista com sua câmera na mão desligada e ambos contando histórias.
Tem um provérbio de origem etíope que diz “Quando o coração transborda, ele sai pela boca.” Eu tomei a liberdade de adaptar esse provérbio pra dizer assim: “Contador de histórias é todo aquele cujo coração transborda e sai pela boca”.

Célia Gomes

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Resgatando a identidade cultural literalmente

Ao final de um encontro onde apresentamos a história do Bumba- meu- Boi, um dos participantes veio nos procurar com o seu documento de RG nas mãos, nos entregou o documento e disse:
– Olha aí, pode ver! Eu sou de São Luiz do Maranhão e hoje vocês me fizeram lembrar a minha terra! Eu ia a todas as festas do Boi! Conheço tudo e vivi tudo isso lá no Maranhão. E hoje fiquei lembrando de tudo…
Achamos tão forte ele chegar com o seu documento de identidade nas mãos para nos mostrar! Brincamos:
– Isso é o que eu chamo de resgate de identidade. Literalmente.

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Lendas Indígenas

Célia Gomes e Fábio Rosa contam lendas indígenas

Imagem: Guetto Filmes - Andres Legum e Ivan Marchini

Resgatando a identidade cultural
Hoje realizamos na Casa de Convivência Porto Seguro mais uma roda de histórias com lendas indígenas. Abrimos com cantos e flautas indígenas e em seguida iniciamos as lendas.
Foi muito interessante observar a participação dos conviventes e o resgate cultural que começou a acontecer. Um dos participantes comentou que era neto de índia e italiano e nos contou a história de como o seu avô pegou a sua avó índia no laço (literalmente), era uma índia brava, lá do Xingu…
Um jovem rapaz ficou muito tocado com as lendas do norte e falou bastante durante todo o encontro. Disse que ele é de Belém do Pará e descendente de índios. Está em São Paulo há apenas um mês, e foi tão tocado pelas lembranças de sua terra natal que nos contou sobre os costumes e rituais dos índios, sobre as comidas típicas, as festas e cantou emocionado alguns trechos de canções típicas da região.
No encontro anterior, outro participante começou a falar guarani e nos disse que estava se lembrando da ex-esposa que era índia Guarani.
Ficamos emocionados com o efeito do encontro. Como eles puderam se encontrar e reencontrar nos elementos apresentados.
Acreditamos que quando nos conectamos com nossas raízes, naturalmente nos fortalecemos. Por isso escolhemos trabalhar nos primeiros encontros com a cultura brasileira e contos regionais.

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Pés que escutam histórias…

Imagem: Guetto Filmes - Andres Legum e Ivan Marchini

Imagem: Guetto Filmes - Andres Legum e Ivan Machini

Imagens: Guetto Filmes – Andres Legum e Ivan Marchini

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Fogueira


Foto da Guetto Filmes (Andres Legum e Ivan Marchini)

Todos os dias iniciamos a nossa roda de histórias acendendo a nossa fogueira simbólica. Cada dia alguém é escolhido para ser o guardião da fogueira. Ele acende, zela para que ela permaneça acesa durante todo o encontro e apaga no final.
É impressionante como pequenos gestos simbólicos podem determinar o tom, postura e qualidade de um encontro.

Imagem: Guetto Filmes - Andres Legum e Ivan Marchini

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